Entrevista Exclusiva com Marta Poggi – Especialista em Turismo Digital

Apaixonada por inovação e tendências, Marta Poggi é palestrante, consultora e conteudista, fundadora do blog agentenoturismo.com.br e martapoggi.com.br.

Economista pela UNESP, especialista em Marketing Turístico pelo Senac, MBA em Marketing Estratégico e Mestre em Ciências da Comunicação e Turismo pela USP, tem como missão, através de suas palestras, consultorias e treinamentos, orientar, incentivar e inspirar empresários e profissionais para desenvolverem seus negócios, visando assim, o sucesso de empresas e carreiras.

RE: Como as ferramentas digitais e o engajamento online dos turistas estão transformando o jeito de viajar e de prestar serviços no setor?

Marta: O turista 4.0 (analogia a 4ª revolução industrial), que é o consumidor de viagens contemporâneo, já usava todas as ferramentas como sites, plataformas, aplicativos, blogs, redes sociais e Google meu negócio, para fazer a pesquisa e decidir para onde ele iria viajar nas férias, onde se hospedaria, que tipo de serviço iria consumir e compras. Durante a viagem ele continuava utilizando as diversas plataformas para poder otimizar sua experiência no destino e quando voltava, seguia postando conteúdo e avaliando os locais, em vários sites.

O que a gente vê é que agora, o turista passa a ser mais digitalizado. Além de usar todas essas ferramentas, para decidir e comprar a viagem, ele também utiliza e consome experiências online e hibridas. Ainda mais familiarizado com as novas tecnologias. Mais experimentado, priorizando as empresas de turismo que tenham essas facilidades e desenvolvidas no mundo digital.

RE: A cultura do turismo de experiência vinha ganhando cada vez mais espaço. Devido a pandemia, como ele ficará? Haverá alterações na sua forma?

Marta: Sim, a gente fala de turismo de experiência há dez anos. Mas a gente vê que pouca coisa aconteceu aqui no Brasil em termos de oferta de experiência turística. Isso tende a aumentar.
Por que eu vou sair da minha cidade, correr risco, se eu vou fazer a mesma atividade, ter a mesma experiência que poderia ter aqui ou no entorno. Então, oferecer experiências autenticas e exclusivas, que só possamos usufruir em determinados localidades é cada vez mais importante. É isso que as pessoas estão valorizando cada vez mais.

Hoje, mesmo quando a gente fala de turismo de luxo, mais importante do que ficar em um hotel com lobby todo dourado, glamoroso, é importante ter uma experiência exclusiva, que poucos consumidores tenham acesso.

Quando falamos de turismo de lazer, a experiência também é chave e faz toda a diferença na viagem desses turistas que estão cada vez mais conectados.

Pós-pandemia, a prioridade são essas experiências em pequenos grupos. Experiências ao ar livre ou relacionadas a gastronomia, bem-estar, que possam ser feitas em família. Mas é importante para quem é prestador de serviço, que além de formatar experiências, também saiba “embalar” e colocar na “prateleira” certa do mercado turístico, não basta ter uma experiência super bacana, se ela não estiver em um canal digital claro, acessível para as pessoas.

RE: Com a pandemia tornou-se ainda mais forte o impacto da presença digital dos empresários deste meio. Como este impacto da tecnologia no processo de tomada de decisões está auxiliando os empresários do meio?

Marta: A transformação digital no turismo já vinha acontecendo e a pandemia acelerou muito esse processo. Do dia para a noite todos fomos forçados a trabalhar de casa, nos adaptarmos as novas tecnologias. Até professora de escola primária teve que usar essas tecnologias para aulas online. Foi muito rápido, as empresas que já tinham essa mentalidade digital, proporcionando vendas online, boa comunicação e uso das redes sociais, tiveram uma vantagem agora na retomada do turismo. Para as empresas que não tinham essa presença online marcante, é hora de dar muita atenção para isso. Considero fundamental para qualquer empresa de turismo, para que haja uma boa presença online, trabalhar com um site eficiente, redes sociais, TripAdvisor e Google meu negócio. São ferramentas básicas, o mínimo que toda empresa de turismo precisa ter e trabalhar com profissionalismo.

RE: Mais do que nunca, os turistas buscam pela economicidade? Como o turismo vai conciliar este fator ao desenvolvimento individual de valores e cultura, em tempos de adaptação por conta do COVID-19?

Marta: Entendo que o custo/valor da viagem pode parecer mais importante, porque de uma forma geral o brasileiro perdeu muita renda. Mas acredito, que ao mesmo tempo, o turista brasileiro está valorizando coisas que ele não valorizava antes, como a simplicidade, a cultura de um local, a comida bem feita no fogão a lenha, de forma exclusiva. Então, o desafio agora é aproveitar os novos valores, como sustentabilidade, de olhar para o coletivo, de ajudar no combate ao coronavírus, valores antirracismo como temos vistos fortemente. É trabalhar com uma prestação de serviços, não necessariamente sofisticados, mas de qualidade. Trabalhar com sustentabilidade tanto ambiental, quanto social e priorizando as experiências em pequenos grupos, experiências autenticas.

RE: Como está o trabalho das agências de viagens? E como elas podem se adaptar?

Marta: Bom, se pensarmos nas agências de viagens de emissivo, que enviam os turistas para outros destinos ou países, elas precisam se adaptar. Entendo que neste ano, pouquíssimos turistas brasileiros vão viajar ao exterior. Então, hoje (junho de 2020), a gente sabe que a recuperação vai ser primeiro pelas viagens regionais, depois pelas viagens nacionais e em uma terceira etapa, as viagens internacionais. Desta forma, as agências de emissivo, tem que se preparar para este tipo de produtos, para os clientes dela. A medida que vamos tomando confiança que é seguro viajar de avião, para um outro país, vamos querer voltar a fazer isso.

As agências de receptivo, por sua vez, tem que entender que o público dela, que antes podia ser um turista internacional, primeiramente vai ser um turista regional, depois nacional, até voltar o turista estrangeiro. Por isso, é importante se adaptarem no seu portfólio de serviço e na forma de comunicar. Tem que estabelecer metas para curto, meio e longo prazo para as agências de viagens.

 

RE: Agora é tempo de investir ainda mais em sites e redes sociais atuantes?

Marta: Com certeza. Ainda mais importante, além de pensar que preciso criar um site ou um perfil no Instagram, é pensar em um plano de marketing, ter um objetivo de marketing para sua empresa. O que eu quero, quem quero atrair, qual as plataformas que meu potencial cliente navega?
Então é muito importante. No meu blog agentenoturismo.com.br tenho bastante conteúdo sobre isso, sobre marketing digital, redes sociais, e-books, então os empresários podem acessar a qualquer momento e usar essas dicas para se adaptarem.

RE: Qual o setor mais afetado do turismo e como ele poderá se reinventar?

Marta: Claramente o setor de turismo de massa, destinos que são muito visitados, cruzeiros, parques temáticos, eventos, shows, onde tem aglomeração. Atividade que consiste em aglomerações, tem um desafio maior. Não que os eventos não vão acontecer, Foz do Iguaçu, por exemplo, já está organizando eventos, tem protocolos, segurança, sanitária. A Disney, também está reabrindo, então a gente tem que buscar o novo normal, novo turismo. Como meu serviço pode de adaptar ou precisa se adaptar para voltar a receber os clientes.

RE: Existem locais que já estão programando passeios para a família, onde não há necessidade de sair do carro. Essa será uma das novas formas de turismo moderno?

Marta: Sim, como restaurantes drive-thru, arena allianz, que virou cinema. Então, isso é uma possibilidade. Mas também estamos vendo destinos que já abriram, como Gramado, para receber visitantes e estão tendo muita procura. Desta forma, sabemos que tão logo, possamos sair de casa, muitas famílias vão querer fazer isso.

Lembrando que em um primeiro momento viagem regional, então para a praia, montanha do seu estado. E em um segundo momento para as viagens nacionais. O brasileiro busca principalmente as praias do Nordeste, talvez porque a gente esteja entrando no inverno, começa a dar saudade desse tipo de atividade ao ar livre. Mas os passeios em famílias já estão sim, sendo programados.

Acho que, o drive-in, é a forma que temos neste momento, uma consequência do que podemos fazer, se viajo de carro com a família me sinto mais seguro para ir e voltar. Se tem um segundo momento de quarentena, cancelo minha reserva no hotel e volto para casa.

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