Os moradores e visitantes do município de Apiúna, poderão responder que sim, quando mensalmente, escutam o apito da Maria Fumaça “Trem Histórico Cultural da EFSC”. 

O som, vem da Subida da Serra do Mar na região, e acompanha muita pressão de vapor por parte da Maria Fumaça durante os 5 km percorridos (2,5 km de ida e volta), por cerca de 45 minutos. 

Locomotiva EFSC – Foto Luiz Carlos Henkels

Mas afinal, como esta história começou?

Desativada comercialmente em 1971, a ferrovia que tinha importância econômica do Vale ao levar cargas e passageiros, via pouco a pouco, sua história ser apagada pela quantidade de mato e crescente urbanização da cidade. As novas gerações desconheciam a existência da ferrovia, não sabiam por onde ela passava e possivelmente, se perguntavam porque haviam tantos túneis, pontes e estações abandonadas ao longo do vale. 

Foi com o intuito de manter viva a história, não só do trem, mas da própria formação do Vale do Itajaí, que um grupo de pessoas se reuniu para reviver esta história. 

Vagão Bilheteria e Área de Apoio aos Turistas – Foto Luiz Carlos Henkels

O memorialista, Luiz Carlos Henkels, um dos fundadores do grupo em 1988, conta como tudo começou. “Além da história, tínhamos como aliado, uma fanática atração por trens desde a infância, que nos levou a procurar mais associados que se interessassem em formar uma entidade de preservação regional. Não podíamos permitir que se apagassem os últimos vestígios da EFSC. E principalmente, o museu vivo a ser criado, poderia elucidar aos visitantes parte importante da memória do trem do vale do Itajaí, além de mostrar o funcionamento de uma autêntica locomotiva a vapor” conta ele. 

Carro Adminsitrativo – EFSC – Foto Luiz Carlos Henkels

O Trem Histórico de Subida é, na verdade, um pequeno núcleo da ABPF regional Sul, que faz parte da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), fundada em São Paulo em 1977 pelo francês, naturalizado brasileiro, Patrick Henri Ferdinand Dollinger.

Apesar da pouca quilometragem percorrida, o passeio no Trem Maria Fumaça, na Subida em Apiúna, garante aos visitantes paisagens deslumbrantes regadas a uma boa dose de história. 

É impossível não ser transportado ao passado, ao escutar o bufar da locomotiva. 

Os visitantes ainda têm acesso à visualização das obras de arte ferroviárias construídas neste trajeto na década de 1920. São, portanto, obras quase centenárias construídas em pedra granítica rosa, como o túnel de 68 metros, a – ponte/viaduto – com dois arcos estilo românico e outro viaduto em arco românico.

O passeio inicia na Serra Mar, por isso a localidade leva o nome de Subida, e exige muita pressão da Maria Fumaça, o que por si só já é uma atração a parte. 

Interior da Locomotiva – Foto Jaqueline dos Santos Grossi

E, por ser um museu vivo, funciona com os equipamentos da época. Locomotiva de 1920, vagões da década de 1930 e 1940. “Aliado a tudo isso, são passadas explicações detalhadas aos visitantes, que saem do passeio com um bom conhecimento do funcionamento da locomotiva, da história da ferrovia, além do conhecimento geográfico e histórico” detalha Henkels. 

Interior da Locomotiva – Foto Luiz Carlos Henkels

Durante a pandemia da COVID-19, o trem Maria Fumaça ficou parado de março a setembro, retornando em outubro com 50% da capacidade, dificultando a arrecadação do grupo voluntário, dos custos com manutenção e passeios, que são todos oriundos das viagens realizadas mensalmente.

Pátio de Embarque e Vagão Bilheteria EFSC – Foto Luiz Carlos Henkels

A reforma inicial da locomotiva e dos dois primeiros vagões foi realizada com auxilio de empresários da região, no entanto desde 2012, os custos são todos mantidos com os valores das viagens. 

A cada mês, cerca de 15 pessoas se dedicam a operação do trem e nos outros finais de semana, cerca de 4 pessoas comparecem para fazer os trabalhos de manutenção e conservação.

“Esperávamos a ajuda de estudantes de história ou engenharia, mas por enquanto, o assunto não despertou interesse” diz Luiz Carlos. 

Pátio de Embarque e Vagão Bilheteria EFSC – Foto Luiz Carlos Henkels

Por isso, o grupo estuda a possibilidade de profissionalização do evento, contratando profissionais remunerados, para assim abrir os passeios todos os fins de semana, e ampliar a divulgação para trazer novos turistas. 

Interior da Locomotiva – Foto Jaqueline dos Santos Grossi

Serviço:

Os passeios por enquanto são realizados uma vez ao mês, conforme cronograma de datas pré-estabelecidas divulgadas no site do passeio – efsc.tur.br.  Para o agendamento, é importante entrar em contato por e-mail – contato@efsc.tur.br – para garantir o lugar no dia e hora marcados. O contato também pode ser feito por telefone – WhatsApp (47) 98894-5517.  

Locomotiva EFSC – Foto Luiz Carlos Henkels

Em Santa Catarina, existem quatro passeios fixos de Maria Fumaça, cada um com suas características e nomenclaturas próprias. Rio Negrinho a Corupá, Piratuba a Marcelino Ramos, o passeio que acontece em Tubarão em direção a Imbituba ou Urussanga e o de Subida do município de Apiúna, sobre o qual falamos. Além deles, existem os passeios eventuais e sazonais. 

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